Avaliação da adesão ao Tratamento Profilático em Pessoas com Hemofilia A e B em dois hemocentros do sudeste brasileiro
Nome: DEBORA MARIA DO CARMO ROCHA
Data de publicação: 25/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALESSANDRA NUNES LOUREIRO PREZOTTI | Coorientador |
| FRANCISCO DE PAULA CARETA | Examinador Externo |
| GABRIELA GÓES YAMAGUTI HAYAKAWA | Examinador Externo |
| GENIVAL ARAUJO DOS SANTOS JUNIOR | Presidente |
Resumo: A hemofilia é uma coagulopatia hereditária caracterizada pela deficiência dos fatores VIII ou IX da coagulação, cujo tratamento profilático com concentrados de fator constitui o padrão terapêutico para prevenção de sangramentos e suas complicações, especialmente a artropatia hemofílica. Apesar da ampla disponibilização desses concentrados no Sistema Único de Saúde, a efetividade clínica da profilaxia depende diretamente da adesão ao regime terapêutico prescrito. Nesse contexto, a avaliação objetiva da adesão representa um componente essencial para compreender a execução real do tratamento na prática clínica. Este estudo teve como objetivo avaliar a adesão à profilaxia com concentrados de fatores de coagulação em pessoas com hemofilia A e B acompanhadas em dois hemocentros de referência no sudeste brasileiro, bem como identificar fatores associados à não adesão. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e exploratório, realizado entre janeiro e dezembro de 2024, incluindo indivíduos em profilaxia regular de longa duração. A adesão foi avaliada por meio da comparação entre as doses prescritas e as doses dispensadas, sendo classificada como adesão ótima, subótima ou não adesão, conforme metodologia previamente validada. Foram incluídos 224 participantes, com predominância de hemofilia A grave e concentração na faixa etária de adultos jovens. A análise demonstrou que mais da metade dos indivíduos apresentou não adesão ao tratamento profilático, evidenciando discrepância relevante entre a prescrição médica e a execução do regime terapêutico. Observou-se maior proporção de adesão nas faixas etárias mais jovens, particularmente entre crianças, enquanto adolescentes e adultos jovens apresentaram maior frequência de não adesão. Apesar disso, as taxas medianas de sangramento total e articular permaneceram baixas na maioria dos participantes, refletindo o impacto global da profilaxia na redução de eventos hemorrágicos. Os resultados evidenciam que, embora o acesso ao tratamento esteja amplamente estabelecido, a execução do regime profilático apresenta variabilidade significativa entre os indivíduos e entre os centros de tratamento. Esses achados reforçam a importância da avaliação objetiva da adesão como ferramenta complementar no acompanhamento clínico, permitindo identificar discrepâncias entre prescrição e uso efetivo do tratamento. Conclui-se que o monitoramento sistemático da adesão, baseado em dados objetivos de dispensação, contribui para uma compreensão mais precisa da implementação da profilaxia e pode auxiliar no aprimoramento das estratégias de acompanhamento das pessoas com hemofilia. Esses resultados fornecem subsídios relevantes para o fortalecimento do cuidado longitudinal e para a otimização da efetividade do tratamento profilático no contexto do sistema público de saúde brasileiro.
