Campus de Maruipe, Vitória - ES

Efeito da exposição aguda ao clorpirifós nas respostas autonômicas e comportamentais em ratos no medo condicionado ao contexto: a influência de diferentes condições experimentais no desfecho

Nome: GABRIEL GAVAZZA NOÉ

Data de publicação: 28/08/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
GUILHERME LUZ EMERICK Examinador Externo
ISIS MORAES ORNELAS CARLETTI Examinador Externo
KARLA NIVEA SAMPAIO Presidente
VANESSA BEIJAMINI HARRES Coorientador

Resumo: Os Organofosforados (OF) são uma classe de compostos amplamente utilizados no mundo. Evidências apontam que diferentes padrões de exposição a compostos OF induzem prejuízos cardiovasculares, respiratórios, comportamentais, cognitivos, motores, oxidativos/nitrosativos e inflamatórios. Em estudos anteriores, observamos que uma intoxicação em dose única de Clorpirifós (CPF), um OF, causou prejuízos na resposta comportamental no medo condicionado ao contexto (MCC). Entretanto não avaliamos se a intoxicação aguda causaria um prejuízo na resposta autonômica no MCC. Além disso, estudos mostram que o uso de anestésicos, como ketamina e xilazina, podem interferir em respostas comportamentais e cardiovasculares. Portanto, investigamos os efeitos comportamentais, autonômicos e bioquímicos da exposição aguda ao CPF em ratos submetidos ao MCC, explorando como variações nas condições experimentais, tais como a ordem do protocolo, a anestesia, a cirurgia e o tempo podem influenciar nos resultados obtidos. Para tanto, ratos Wistar adultos foram submetidos ao teste do MCC. O MCC foi divido em 3 sessões denominadas condicionamento, extinção e confirmação da extinção. A exposição ao CPF (20 mg/kg, i.p.) ocorreu sempre após o condicionamento. Os parâmetros autonômicos (pressão arterial média, PAM e frequência cardíaca, FC) e comportamentais (congelamento) foram registrados nas sessões de extinção e confirmação da extinção. Foram realizados 4 diferentes protocolos: Protocolo 1 –cirurgia de canulação da artéria femoral sob anestesia com Ketamina/Xilazina (80/10 mg/kg) 24 h antes do condicionamento e efeito do CPF no MCC 24 h após a intoxicação ; Protocolo 2 –a cirurgia de canulação 24 h após o condicionamento e efeito do CPF no MCC 48 h após a intoxicação; Protocolo 3 –sessão de extinção 48 h depois do condicionamento e administração de CPF, na ausência de cirurgia e anestesia; Protocolo 4 –anestesia com a mistura Ketamina/Xilazina, 24 h após o condicionamento, na ausência de cirurgia. Ao término dos experimentos, os animais foram eutanasiados para coleta das amostras para avaliação da atividade das enzimas acetilcolinesterase (AChE) e butirilcolinesterase (BuChE), e quantificação de marcadores de estresse nitrosativo (NO2 - , NO3 - e NO total) no hipocampo e tronco. No protocolo 1, a intoxicação aguda por CPF prejudicou a extinção e aumentou a expressão do medo 24 h após a intoxicação sem afetar a PAM e a FC. Por outro lado, no protocolo 2, a exposição aguda ao CPF alterou as respostas pressora e taquicárdica de animais intoxicados que passaram pela cirurgia 24 h depois do condicionamento sem afetar a resposta comportamental. Nos protocolos 3 e 4, a intoxicação aguda por CPF prejudicou a extinção do medo, enquanto a associação anestésica de ketamina e xilazina e a associação anestésica junto ao CPF também prejudicaram a extinção do medo condicionado. Nos 4 protocolos foi observado que a intoxicação levou à inibição das colinesterases. Além disso, a intoxicação aguda ao CPF alterou os níveis de NO2 - , NO3 - e NO total em animais 72 h após a intoxicação. Com isso conclui-se que a intoxicação aguda de ratos ao CPF prejudica as respostas comportamentais e cardiovasculares no MCC, sendo que a associação anestésica e a cirurgia podem interferir nesses resultados.

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