Campus de Maruipe, Vitória - ES

A anestesia com ketamina/xilazina altera a atividade colinesterásica em ratos: uma abordagem in vivo, in vitro e in silico

Nome: LARISSA DE JESUS CORRÊA

Data de publicação: 03/10/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CARLOS ALAN CÂNDIDO DIAS JÚNIOR Examinador Externo
JULIANA BARBOSA COITINHO GONCALVES Coorientador
KARLA NIVEA SAMPAIO Presidente
RITA DE CASSIA RIBEIRO GONCALVES Examinador Interno

Resumo: Introdução: A Ketamina e Xilazina (K/X) são anestésicos de uso veterinário utilizados para diversos procedimentos, mas podem interferir na homeostase e no equilíbrio autonômico. Em estudos prévios observamos redução da atividade da butirilcolinesterase (BChE) plasmática com a K/X, sugerindo uma possível modulação colinérgica sistêmica. Todavia, permanece desconhecido se esse efeito se estende a outras colinesterases ou a diferentes tecidos, bem como os possíveis mecanismos envolvidos nesses efeitos. Para elucidar essas questões, integramos abordagens in silico, in vitro e in vivo para investigar a interação da K/X com colinesterases e avaliar seus efeitos sobre a atividade enzimática e a expressão de marcadores inflamatórios. Métodos: O estudo in silico investigou o potencial de ligação da K/X às colinesterases e previu interações com resíduos catalíticos, aniônicos e periféricos. Ensaios in vitro avaliaram o efeito dose-dependente de cada fármaco sobre a atividade da acetilcolinesterase (AChE) eritrocitária e da BChE plasmática de ratos controle. No estudo in vivo, ratos Wistar (10–12 semanas) foram distribuídos em quatro protocolos: (1) coleta seriada de sangue antes, durante e após anestesia com K/X e cirurgia; (2) anestesia isolada seguida de eutanásia 48 h após; (3) grupo controle sem exposição prévia a anestesia/cirurgia; e (4) punção caudal sem anestesia e eutanásia três dias depois. Ao final, foram coletadas amostras de sangue, córtex, hipocampo, tronco encefálico e coração para análise de AChE e BChE, além de análise por Western blot da expressão de TNF- e NF-kB no ventrículo esquerdo (VE). Resultados: O docking apontou interações fracas entre os resíduos das colinesterases e os ligantes. O teste in vitro mostrou uma inibição dose-dependente da AChE e BChE de ratos controle pelos dois anestésicos. A cirurgia e a anestesia em conjunto reduziram a atividade da BChE plasmática 24 e 48h e da AChE eritrocitária em 48 horas após a anestesia. A anestesia isolada diminui a atividade da BChE, mas aumentou a atividade da AChE. A punção não alterou a atividade das enzimas. A anestesia com ou sem cirurgia aumentou a atividade das ChEs e diminuiu a atividade das ChEs no ventrículo, no tronco cerebral, e no córtex pré-frontal. A expressão de TNF- no VE foi diminuída pela K/X. Conclusões: A anestesia com a K/X altera a atividade colinesterásica de forma tecido e tempo dependente, sugerindo um efeito sistêmico sobre o tônus colinérgico. A redução concomitante de TNF- no VE indica possível ligação entre a modulação colinérgica e a resposta inflamatória.

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