Campus de Maruipe, Vitória - ES

Prospecção do uso do óleo vegetal da semente de guanandi (Calophyllum brasiliense) como bioinsumo para uso farmacêutico

Nome: GABRIEL MENDES DA CUNHA

Data de publicação: 14/11/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CRISTIANE DOS SANTOS GIUBERTI Presidente
GUILHERME DINIZ TAVARES Examinador Externo
JULIANA APARECIDA SEVERI Examinador Externo

Resumo: O guanandi (Calophyllum brasiliense) é uma árvore frequentemente explorada para o reflorestamento de matas ciliares e para a obtenção de madeira de alta qualidade. Nos últimos anos, seus potenciais benefícios terapêuticos têm sido cada vez mais investigados. No entanto, até o momento, não existem relatos sobre o uso do óleo vegetal das sementes de guanandi (OVSG) como emoliente em formulações farmacêuticas. Os emolientes são essenciais para a hidratação da pele, pois formam uma barreira oclusiva que ajuda na retenção da umidade natural, além de melhorar a maciez e elasticidade. O objetivo principal deste estudo foi avaliar a viabilidade do uso do OVSG como emoliente em cremes, substituindo parcial ou totalmente emolientes sintéticos como a vaselina líquida e o miristato de isopropila. Inicialmente, foi realizada identificação dos componentes de interesse no bioinsumo e a caracterização físico- química do OVSG mediante realização dos ensaios de pH, espalhabilidade, densidade relativa, rotação óptica, índice de acidez, índice de saponificação e índice de peróxidos. Em seguida, a citotoxicidade e a capacidade cicatrizante foram pesquisadas in vitro. Após análises, o OVSG foi utilizado na preparação de oito formulações, nas quais foi adicionado nas concentrações de 5% e 10% p/p, substituindo parcial ou totalmente emolientes sintéticos. As formulações foram caracterizadas visualmente e submetidas a ensaios de estresse térmico e mecânico para avaliação preliminar da estabilidade. Das oito formulações, em quatro não foram observados sinais de alterações e estas, contendo o OVSG a 10% p/p, foram selecionadas para a continuidade do estudo. As formulações eleitas foram armazenadas sob diferentes condições (temperatura ambiente, refrigeração e estufa) para avaliação nos tempos 24 horas (T0), 30 dias (T1) e 60 dias (T2). Foram realizadas análises macro e microscópicas, ensaios de estresse térmico e mecânico, ciclo aquecimento/resfriamento, pH, diâmetro das gotículas, perfil de textura e capacidade oclusiva. Foram identificados ácidos graxos que correspondem a 95% do material lipídico, com perfis semelhantes à literatura. A densidade relativa foi comparável a outros óleos vegetais, com alta viscosidade e baixa espalhabilidade. O Índice de Saponificação próximo a 200 confirmou a presença de ácidos graxos de maior massa molar. Os testes de citotoxicidade, não indicaram efeitos tóxicos sobre fibroblastos, e o bioinsumo promoveu proliferação celular e redução significativa da área da lesão em comparação com áreas não tratadas. O OVSG não demonstrou atividade antimicrobiana frente às cepas testadas nas concentrações utilizadas. As análises dos cremes evidenciaram sistemas emulsionados estáveis, com coloração levemente amarelada e aumento de consistência após 24 horas. A microscopia mostrou a presença de gotículas esféricas bem dispersas, sem aglomeração ou separação de fases, cremagem ou floculação. A partir dos resultados destas análises, foi eleita uma formulação para pesquisa da atividade cicatrizante em modelo animal, mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (protocolo CEUA 012/2020). A formulação eleita, preparada a partir do OVSG a 10% p/p (Base Aniônica 2), em substituição total à vaselina líquida e ao miristato de isopropila, apresentou resultados de retração da área de lesões induzidas em ratos semelhantes aos observados para formulações contendo alantoína, sem e com o bioinsumo, demonstrando a viabilidade do seu uso como emoliente. A partir dos resultados é possível concluir que o óleo vegetal das sementes de guanandi obtido por prensagem a frio não refinado, proveniente de frutos naturalmente depositados no meio ambiente, é promissor para o uso como um novo bioinsumo com atividade emoliente para uso farmacêutico, com potencial hidratante e cicatrizante.

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