Transtornos mentais comuns e uso de medicamentos psicotrópicos entre professores da rede estadual de ensino do Espírito Santo
Nome: YOHAN CANCILHERI MAZZINI
Data de publicação: 01/04/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DYEGO CARLOS SOUZA ANACLETO DE ARAUJO | Presidente |
| PATRÍCIA MELO AGUIAR | Examinador Externo |
| VITOR AMORIM DE ANGELO | Examinador Externo |
Resumo: Introdução: os transtornos mentais comuns e o uso de medicamentos psicotrópicos entre professores têm sido uma questão de crescente preocupação em nível global. No entanto, no Brasil, há uma escassez de estudos probabilísticos com amostras representativas que investiguem a prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, bem como o uso de psicotrópicos nessa população específica, limitando o entendimento sobre a real dimensão do problema. Objetivo: avaliar a prevalência e fatores associados a sintomas de transtornos mentais comuns e uso de medicamentos psicotrópicos entre professores da rede estadual de ensino do Espírito Santo. Método: foi realizado um estudo transversal, quantitativo, com professores de escolas vinculadas à Superintendência Regional de Educação Carapina (SER- Carapina). Foram excluídos professores em desvio da função docente. A amostragem foi realizada por conglomerados, considerando cada escola como uma unidade primária de amostragem. A coleta de dados foi realizada, de forma presencial, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2024, durante a Jornada de Planejamento Pedagógico das escolas sorteadas. Foram aplicados questionários semiestruturados, contendo questões sobre dados sociodemográficos, diagnóstico prévio de transtornos mentais, escalas de rastreamento de sintomas de ansiedade, depressão, insônia e burnout, bem como o perfil de uso de medicamentos psicotrópicos. A análise estatística incluiu estatística descritiva, qui-quadrado, regressão de Poisson com variância robusta e regressão logística binária. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 70203023.4.0000.5060). Resultados: Participaram do estudo 453 professores. O diagnóstico prévio de transtornos de ansiedade e depressão foi relatado por 29,6% (n=134) e 14,8% (n=67) dos professores, respectivamente. Sintomas moderados a graves de ansiedade e depressão foram observados em 32,7% (n=148) e 34,4% (n=156) dos professores. Além disso, 11,3% (n=51) apresentaram ideações suicidas ou de automutilação com alguma frequência. A regressão de Poisson indicou que ser mulher, ter outro emprego além da docência, ter sintomas de insônia clínica e burnout aumentaram a razão de prevalência de sintomas de ansiedade, enquanto ser mulher, ter insônia clínica e burnout aumentaram a razão de prevalência de sintomas de depressão. O uso de medicamentos psicotrópicos foi relatado por 20,0% (n=90) dos professores, sendo o uso específico de antidepressivos observado em 16,9% (n=76). A maioria dos professores começou a usar esses medicamentos após 2020, com prescrição majoritariamente feita por psiquiatras. A regressão de Poisson demonstrou que ser mulher, ter insônia clínica e sintomas de ansiedade grave de saúde aumentaram a razão de prevalência do uso de psicotrópicos e antidepressivos. O uso de benzodiazepínicos foi relatado por 6,8% (n=31) dos professores. Entre os usuários, 42,5% (n=14) utilizavam esses medicamentos há entre 2 e 5 anos, e 39,4% (n=13) relataram o uso de benzodiazepínicos sem associação com antidepressivos. A regressão logística binária demonstrou que sintomas de ansiedade severa e insônia clínica aumentaram as chances de uso de benzodiazepínicos, enquanto possuir um parceiro reduziu essas chances. Conclusão: Os professores do Espírito Santo apresentaram prevalências de transtornos mentais comuns superiores às médias da população brasileira e mundial. O uso de medicamentos psicotrópicos, especialmente antidepressivos e benzodiazepínicos, também foi maior em comparação a outras populações. Esses dados ressaltam a necessidade de implementar estratégias multidimensionais que integrem ações individuais, suporte institucional que inclua a modificação dos fatores estressores e políticas públicas robustas voltadas para a prevenção do adoecimento mental e a promoção da saúde dos professores.
