Investigação etnofarmacológica e avaliação do perfil químico e das atividades antioxidante e trombolítica de espécies vegetais comercializadas na Grande Vitória - ES
Nome: RENNAN BATISTA DIAS
Data de publicação: 01/04/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CLAUDIA MASROUAH JAMAL | Presidente |
| DAMARIS SILVEIRA | Examinador Externo |
| RODRIGO REZENDE KITAGAWA | Examinador Interno |
Resumo: O uso de plantas medicinais é uma prática de longa data em diversas culturas. A etnofarmacologia desempenha um papel crucial na validação científica desses conhecimentos tradicionais, assegurando sua eficácia e segurança. Dada a relevância de plantas medicinais, o monitoramento de sua comercialização é essencial. Portanto, o objetivo deste estudo foi listar as plantas medicinais mais comercializadas na região da Grande Vitória (Espírito Santo, Brasil), selecionar cinco delas para revisar a literatura sobre suas atividades e riscos associados, caracterizar quimicamente seus extratos etanólicos e avaliar suas atividades antioxidante e trombolítica. Para a coleta de dados, foram aplicados questionários estruturados a comerciantes de plantas medicinais. A revisão da literatura foi conduzida com foco em evidências clínicas e potenciais riscos associados ao uso. O perfil químico dos extratos foi determinado por ESI(±)FT-ICR MS. A atividade antioxidante foi avaliada a partir da capacidade sequestradora do radical 1,1-difenil-2-picril-hidrazila (DPPH• ), e a atividade trombolítica testada in vitro quanto à capacidade em promover a lise de coágulos. O estudo identificou 34 plantas comercializadas, destacando camomila, cavalinha, hibisco, espinheira-santa e chá-verde, sendo a infusão (chá) a forma predominante de preparo. Das cinco espécies selecionadas, Matricaria chamomilla e Lippia alba apresentaram alto nível de evidência clínica para seu uso tradicional como calmantes, com baixo risco associado. Pimpinella anisum mostrou evidência clínica para dispepsia e menor suporte como calmante, enquanto Erythrina mulungu e Monteverdia ilicifolia carecem de estudos que confirmem sua eficácia tradicional. A análise por MS identificou principalmente ácidos fenólicos e flavonoides nas amostras, incluindo ácido gálico, ácido cafeico, apigenina, luteolina e catequina. Todas as plantas demonstraram capacidade antioxidante, com erva-cidreira e espinheira-santa apresentando os melhores resultados (IC50 de 82,10 ± 5,05 e 82,49 ± 5,44 g/mL, respectivamente). Dos extratos testados, apenas o de erva-cidreira apresentou uma capacidade moderada de promover a lise dos coágulos. Este trabalho contribui para o conhecimento sobre as propriedades medicinais, químicas e biológicas de plantas comercializadas na região da Grande Vitória e ressalta a importância do seu monitoramento para garantir seu uso seguro e eficaz.
