Campus de Maruipe, Vitória - ES

Avaliação do potencial gastroprotetor da silimarina e silibina frente a infecção por Helicobacter pylori e em células tumorais gástricas

Nome: MILENA LOPES FRANCISCO BITTENCOURT RHEIN
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 30/09/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
RITA DE CÁSSIA RIBEIRO GONÇALVES Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
FERNANDA GOBBI AMORIM Examinador Externo
MARIA DO CARMO PIMENTEL BATITUCCI Examinador Interno
RITA DE CÁSSIA RIBEIRO GONÇALVES Orientador

Resumo: A fitoterapia é uma importante opção terapêutica na prevenção e tratamento de agravos de saúde. O Silybum marianum (L.) Gaertn é uma planta conhecida popularmente como “cardo mariano”. A partir desta planta é possível obter a silimarina, uma mistura complexa de flavolignanas utilizada no Brasil como medicamento fitoterápico como hepatoprotetor, que possui como componente majoritário a silibina. Apesar de ter muitos estudos com a silimarina, ainda pouco se sabe sobre seus efeitos no sistema gástrico. As doenças relacionadas ao estômago são condições comuns que na maioria das vezes levam a cronicidade, podendo evoluir para câncer. Um dos fatores que contribui para seu desenvolvimento é a presença da bactéria Helicobacter pylori. A bactéria é capaz de colonizar e infectar o estômago produzindo uma série de alterações que a longo prazo podem culminar no desenvolvimento de câncer gástrico. Neste sentido, buscamos avaliar o efeito da silimarina e silibina sobre H. pylori, resposta imonumoduladora de macrófagos e atividade citotóxica sobre linhagem de células tumorais gástricas. A técnica de microdiluição em caldo foi utilizada para determinação da concentração inibitória mínima (CIM) e posteriormente a verificação da atividade sinérgica com o metronidazol pelo método de checkerboard. Avaliação das alterações morfológicas na célula bacteriana foi realizada por meio de microscopia eletrônica de varredura após exposição da bactéria aos sub-CIM. Também foi realizada a avaliação da interação com subunidade de PBP por método in silico. A avaliação da inibição da urease foi realizada in vitro. A atividade imunomoduladora foi avaliada pela detecção de óxido nítrico, ânion superóxido e citocinas (TNF-α, IL-6 e IL-10) liberadas por macrófagos. Por fim, avaliou-se a atividade citotóxica em células de adenocarcinoma gástrico (AGS) pelo método de MTT. Também foi avaliada a citotoxicidade após metabolização. A silimarina e a silibina demonstraram ter discreta atividade sobre H. pylori, não demonstrando efeito sinérgico com o metronidazol. Demonstrou importantes alterações morfológicas da parede bacteriana após tratamento, sugerindo interação com subunidades de PBPs. Além disso, a silibina demonstrou possui importante interação in silico em modelo de interação com PBP. Em relação à urease, não foi verificada atividade inibitória significativa. Foi observado potencial imunomodulador na concentração de 50 μg/mL com inibição das citocinas produzidas por macrófagos estimulados com H. pylori (TNF-ɑ: 84,54 ± 2,24% e 100,00 ± 3,47%, IL-6: 88,66 ± 1,56% e 56,83 ± 6,69%, IL-10: 73,88 ± 3,86% e 70,29 ± 8,41% para silimarina e silibina, respectivamente) e NO (95,05 ± 7,76% e 73,33 ± 7,14% para silimarina e silibina). Apresentou, na mesma concentração, ação inibitória discreta na produção de superóxido (35,85 ± 10,98% e 27,09 ± 7,47% para silimarina e silibina). Além disso, demonstraram significativa atividade citotóxica sobre AGS (IC50: 46,27 ± 1,99 e 55,70 ± 2,14 μg/mL para silimarina e silibina) com bom índice de seletividade (IS: 2,12 e 1,52 para silimarina e silibina) quando comparadas ao quimioterápico padrão. E aumento da citotoxicidade após metabolização, com diminuição do IC50. Assim, a silimarina e a silibina demonstraram possuir característica importantes para um potencial uso na prevenção e tratamento de infeção por H. pylori e suas complicações, como o câncer gástrico.

Palavras chave: Silimarina, silibina, Helicobacter pylori, urease, inflamação, câncer gástrico.

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