Tolerância induzida por drogas: efeito da associação in vitro de antimicrobianos em Stenotrophomonas maltophilia
Nome: MARIANA ABOU MOURAD FERREIRA
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 22/02/2019
Orientador:
| Nome |
Papel |
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| KÊNIA VALÉRIA DOS SANTOS | Orientador |
Banca:
| Nome |
Papel |
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| KÊNIA VALÉRIA DOS SANTOS | Orientador |
| RODRIGO CAYÔ DA SILVA | Examinador Externo |
| SARAH GONCALVES TAVARES | Examinador Externo |
Resumo: Introdução: A tolerância bacteriana caracteriza-se pela habilidade de uma população microbiana em sobreviver a altas concentrações de uma droga bactericida sem que a Concentração Inibitória Mínima (CIM) seja alterada. Ao término do tratamento antimicrobiano, as cepas tolerantes voltam a se multiplicar, podendo causar infecções recalcitrantes e facilitar a resistência. Muitos estudos relacionam a exposição a antimicrobianos com a indução de tolerância. Embora observada em diversas espécies bacterianas, a tolerância ainda não foi investigada para o bacilo oportunista Stenotrophomonas maltophilia, comumente exposto no cenário clínico a diversos antimicrobianos sem ação sobre este patógeno. Desta forma, nosso objetivo foi investigar se o uso prévio de determinados antimicrobianos não direcionados induz tolerância cruzada em S. maltophilia. Materiais e métodos: Para avaliar possíveis antimicrobianos indutores de tolerância foram feitos ensaios de triagem qualitativa e quantitativa. Nestes ensaios, expomos a cepa S. maltophilia ATCC® 13637 às drogas daptomicina (DAP), vancomicina (VAN) e gentamicina (GEN) e avaliamos a ocorrência de tolerância cruzada frente às drogas específicas contra S. maltophilia: sulfametoxazol/trimetoprim (SXT), ceftazidima (CAZ) e levofloxacina (LVX). Após a triagem, as cepas com características de tolerância induzida foram testadas quanto à similaridade genética por meio de ERIC-PCR. Para excluir a hipótese de contaminação e confirmar o gênero e a espécie das cepas, foi realizado o MALDI-TOF MS. Para avaliação da tolerância foram realizados os seguintes ensaios: determinação da razão Concentração Bactericida Mínima (CBM)/Concentração Inibitória Mínima (CIM) para LVX; teste de disco-difusão adaptado para SXT, CAZ, LVX, ticarcilina-clavulanato (TCC), cloranfenicol (CLO), minociclina (MIN) e polimixina B (PXB) e curva de tempo de morte para LVX, CAZ e ciprofloxacina (CIP). Resultados: Após indução da cepa parental ATCC® 13637 à DAP e à VAN, três cepas potencialmente tolerantes (D25, V15,6 e V3,9) foram isoladas, cuja similaridade genética com a parental foi comprovada por ERIC-PCR (100% de similaridade). As cepas induzidas mantiveram o mesmo valor da CIM de LVX que a cepa parental (0,125 μg/mL), com a razão CBM/CIM variando de 2,64 a 3,04 entre as cepas induzidas. No teste de disco-difusão adaptado, a cepa D25 mostrou alta tolerância para LVX, CAZ e TCC. Nas curvas de tempo de morte em fase estacionária frente à 50 vezes a CIM de LVX, a cepa D25 apresentou tempo mínimo para morte de 99,99% da população total (MDK99,99) maior que o da parental. A taxa de sobrevivência também foi maior para a cepa D25 na presença de CAZ (50xCIM). De modo geral, a cepa D25 apresentou maior taxa de sobrevivência em todas as curvas de tempo de morte, exceto para CIP. Conclusões: Encontramos resultados consistentes de que a exposição prévia de S. maltophilia à daptomicina induz tolerância cruzada à levofloxacina, ceftazidima e ticarcilina-clavulanato. Assim, uma terapia empírica equivocada com daptomicina poderia levar à falha destes antimicrobianos em erradicar S. maltophilia, culminando em infecções crônicas ou óbito por uma subpopulação de microrganismos tolerantes.
Palavras-chave: Stenotrophomonas maltophilia. Tolerância. Persistência. Daptomicina.
