Análise de tolerância e persistência em Staphylococcus aureus induzidos por vancomicina
Nome: JÉSSICA DE CÁSSIA TEIXEIRA BIRRO
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/08/2019
Orientador:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| KÊNIA VALÉRIA DOS SANTOS | Orientador |
Banca:
| Nome |
Papel |
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| GABRIELLA FREITAS FERREIRA | Examinador Externo |
| JULIANA ALVES RESENDE | Examinador Externo |
| KÊNIA VALÉRIA DOS SANTOS | Orientador |
Resumo: Introdução: As linhagens sensíveis de Staphylococcus aureus com susceptibilidade reduzida à vancomicina (VAN) têm atraído a atenção de pesquisadores, principalmente nas últimas décadas, devido à relação com episódios de falha terapêutica e recidiva de infecções. As estratégias de sobrevivência microbiana em linhagens sensíveis são denominadas tolerância e persistência capazes de alterar transitoriamente o metabolismo de parte da população na presença de antimicrobianos bactericidas como forma de escape. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar se diferentes concentrações de vancomicina são capazes de induzir tolerância ou persistência em S. aureus. Materiais e métodos: Cinco linhagens de S. aureus foram expostas de forma intermitente a 10 μg/mL de VAN durante 6 h. Além disso, uma linhagem foi escolhida para ser exposta à 100 μg/mL de VAN por 6 h. Selecionaram-se as linhagens derivadas da ATCC 29213 (parental), E10.6 e E100, para dar continuidade aos ensaios. Confirmou-se o grau de pureza das linhagens derivadas por MALDI-TOF MS e por padrão de similaridade genética por PFGE. Em seguida, caracterizou-se tolerância/persistência a partir da susceptibilidade por determinação da concentração inibitória mínima (CIM) e concentração bactericida mínima (CBM) para VAN e ensaio de disco difusão modificado com VAN, oxacilina (OXA) e ciprofloxacino (CIP). Esses ensaios foram confirmados por ensaio de curva de morte com 50 μg/mL de VAN e, por fim, foram avaliadas as alterações fenotípicas de velocidade de crescimento, percentual de autólise em Triton X-100, nível de TBARS e potencial Zeta. Resultados: Todas as linhagens não alteraram o quantitativo de células viáveis quando expostas à 10 μg/mL de VAN. Para a ATCC 29213, nem mesmo 100 μg/mL de VAN foram suficientes para eliminar completamente a população. As linhagens E10.6 e E100, tiveram sua identidade confirmada, descartando qualquer contaminação. Nenhuma linhagem derivada apresentou alteração de susceptibilidade, porém a razão CBM/CIM foi menor que 32 para todas as linhagens. A linhagem parental e suas derivadas E10.6 e E100 apresentaram alto nível de tolerância/persistência para OXA e CIP (p > 0,05), porém esse ensaio não foi viável para VAN. Em 6 h, a linhagem E10.6 apresentou o mesmo MDK99 que a linhagem parental, sendo igual a 3 h em fase exponencial e a 6 h em fase estacionária. Em contrapartida, o MDK99,99 foi de 6 h em fase exponencial e maior que 6 h para ambas as linhagens em fase estacionária. Quanto às alterações fenotípicas, foram observadas alterações discretas na fase adaptativa apenas nas em 0,25 μg/mL e 0,5 μg/mL de VAN. A partir de 1 μg/mL de VAN não foi observado crescimento. Os níveis de TBARS foram aumentados para o grupo tratado com VAN, bem como os percentuais de autólise por Triton X-100, enquanto a carga superficial de membrana tornou-se mais negativa (todos com p < 0,05). Conclusões: O tratamento com diferentes concentrações de VAN não altera a contagem de viáveis, bem como não altera os níveis de tolerância/persistência para VAN, OXA e CIP. Todavia, é capaz de elevar os níveis de peroxidação lipídica e o percentual de autólise, enquanto reduz a carga de superfície nas linhagens parental e derivadas E10.6 e E100.
Palavras-chave: S. aureus. Vancomicina. Sobrevivência microbiana. Persistência a antimicrobianos.
